Prefeitos baianos defendem diálogo com órgãos de controle para conter alta de cachês no São João

Gestores alertam para risco de inviabilidade das festas juninas e propõem critérios ou tabelamento de valores para garantir sustentabilidade, especialmente em municípios de pequeno porte

 

A crescente elevação dos custos para a realização dos festejos juninos levou prefeitos baianos a defenderem a abertura de diálogo com os órgãos de controle para a definição de recomendações e critérios que orientem a contratação de atrações artísticas no período do São João. A pauta foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (20), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou a preocupação dos gestores com a disparidade nos valores cobrados por artistas e produtoras, além do impacto da inflação sobre a estrutura dos eventos, como palcos, sonorização e iluminação. Segundo ele, a criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais.

“Precisamos buscar uma reunião com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas dos Municípios e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que está na hora de tabelar”, afirmou Wilson Cardoso.

O prefeito de Jequié, Zé Cocá, que comanda um dos São Joões mais tradicionais do interior baiano, alertou que, mantido o atual cenário, a realização das festas pode se tornar inviável em curto prazo. De acordo com ele, o crescimento acelerado dos custos ameaça uma das maiores manifestações culturais do Nordeste.

“Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município baiano conseguirá ter condições de realizar o São João. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar cerca de R$ 5 milhões. Antigamente, com R$ 200 mil você fazia um São João razoável. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, ressaltou.

Wilson Cardoso também citou como exemplo as diferenças de valores pagos por um mesmo artista em cidades vizinhas, o que, segundo ele, evidencia a necessidade de critérios mais claros. “Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o município vizinho pagar R$ 400 mil pela mesma atração. Isso não é legal e não pode continuar acontecendo”, declarou.

Mesmo reconhecendo a importância das grandes atrações para movimentar a economia local, o presidente da UPB reforçou que o momento pode ser uma oportunidade para valorizar osSão João tradicional e autêntico do interior da Bahia, com sanfoneiros e forró pé de serra.

O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, reforçou que a discussão não representa um embate com artistas ou produtoras, mas sim uma preocupação com a capacidade financeira dos municípios. Para ele, os preços praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, distante dos indicadores econômicos tradicionais.

“É importante deixar claro que não é nada contra as produtoras ou contra os artistas. O problema é que, para os municípios, se tornou inviável fazer eventos de grande porte como no passado. Existe uma inflação que parece ter criado um indexador próprio, que não obedece a nenhuma taxa ou parâmetro conhecido”, afirmou.

A UPB pretende agora articular reuniões com o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para discutir alternativas que garantam transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade dos festejos juninos, preservando uma das tradições culturais mais importantes da Bahia e do Nordeste.

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