A possibilidade de agravamento da estiagem, redução das chuvas e aumento das temperaturas coloca os municípios baianos em alerta com a chegada dos efeitos do El Niño. Prefeitos e prefeitas se reuniram nesta terça-feira (1º), no auditório da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, para discutir medidas de prevenção e preparação diante dos impactos que o fenômeno pode provocar. A previsão é que os efeitos do El Niño sejam agravados entre os últimos meses de 2026 e o início de 2027, com potencial para intensificar períodos de seca, comprometer o abastecimento de água, afetar a agricultura e pressionar a economia dos municípios. O evento reuniu 590 participantes, entre presenciais e virtuais.
O encontro foi promovido pela Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SEAF/SRI/PR), em parceria com a UPB e o Governo do Estado da Bahia. A proposta foi ampliar o acesso dos municípios a informações, orientações e medidas de prevenção, além de aproximar as administrações municipais das estratégias adotadas pelos governos federal e estadual.
O presidente da UPB, Wilson Cardoso defendeu a importância de ações conjuntas entre os governos federal, estadual e municipal, além de ações emergenciais, estudos e a liberação de uma cota extra do programa Garantia Safra para auxiliar os pequenos produtores atingidos pela estiagem. O gestor sugeriu também a desburocratização dos mecanismos de acesso a recursos e ações emergenciais, citando a retomada do Cartão de Pagamento Defesa Civil como instrumento importante.
Outro ponto destacado foi a importância de parcerias com a Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia (CERB) para a perfuração de poços, além da instalação dos que já foram construídos, mas ainda não foram instalados, e a parceria com EMBASA para liberação sem custos de carros pipas para abastecimento de água potável.
O gestor também ressaltou a necessidade de fortalecer a agricultura familiar, conscientizar a população e ampliar as parcerias com associações para enfrentar os efeitos da seca. O presidente da UPB destacou a compra imediata de milho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com o valor subsidiado 50% menor do preço de mercado.
Cardoso defendeu uma atuação preventiva e articulada, com atenção especial aos municípios de menor capacidade financeira. Entre os encaminhamentos, está a criação de uma comissão para acompanhamento semanal dos municípios em situação mais crítica, especialmente em relação ao abastecimento de água. “Não podemos deixar que a seca destrua o sonho de um pequeno produtor que levou 10, 15, 20 anos para construir seu patrimônio. Precisamos estar ao lado desse produtor para garantir que ele não perca sua fonte de renda e de alimentação”, destacou.

Entre as medidas apontadas também estão a ampliação das redes de distribuição, utilização de chafarizes em situações emergenciais e ações para garantir água também aos animais. A UPB defende ainda investimentos de longo prazo em barragens, açudes, cisternas e sistemas de abastecimento.
Ao abordar a necessidade de união entre os entes federados, o governador Jerônimo Rodrigues destacou que o enfrentamento da estiagem precisa estar acima das disputas políticas. “A seca não escolhe partido. Não importa se o município é de esquerda ou de direita. Nós precisamos ser maiores do que isso”, afirmou. O governador lembrou que 287 municípios baianos estão inseridos no semiárido, o que representa uma responsabilidade significativa para os governos na construção de políticas permanentes de segurança hídrica.
Jerônimo ressaltou que a seca provocada pelo fenômeno El Niño impacta para além da agricultura, atingindo diretamente o comércio, a renda das famílias, a arrecadação dos municípios e também o turismo. “Eu sei o quanto é difícil, principalmente para os municípios mais pobres. Essa seca não faz padecer apenas a agricultura, mas também o comércio, porque a renda reduz e, por consequência, a receita também diminui. Além disso, o turismo também é afetado”, afirmou. O governador também reforçou a importância de cada município possuir um plano de enfrentamento à estiagem, permitindo antecipar ações e organizar medidas de prevenção e resposta aos períodos de seca.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, destacou a necessidade de integrar ações e ampliar medidas de prevenção diante dos impactos provocados pelos fenômenos climáticos, como o El Niño. Segundo o ministro, eventos extremos podem provocar enchentes, secas e incêndios, afetando principalmente as populações mais vulneráveis. “Esses fenômenos climáticos podem trazer enormes impactos, como enchentes, secas e incêndios. É preciso adotar ações emergenciais e, principalmente, trabalhar na prevenção para evitar impactos na vida das populações mais vulneráveis”, afirmou.
Assessora da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Samara Tavares Carvalho destacou a preocupação do Governo Federal com os impactos provocados pelo fenômeno El Niño e os efeitos da estiagem sobre os municípios. Segundo Samara, a pauta foi assumida como uma das prioridades diante do risco de agravamento da situação, que pode atingir a população, a economia e, principalmente, as pessoas em situação de maior vulnerabilidade. “O Governo Federal abraçou a pauta do El Niño como uma das pautas prioritárias, porque ele vai atingir a população, a economia e, principalmente, as pessoas mais pobres”, afirmou.
A importância da articulação entre os municípios e as diferentes esferas de governo foi ressaltada pelo presidente da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBAHIA) e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, que acrescentou a efetividade da atuação integrada das prefeituras. “Os consórcios estão à disposição para caminhar juntos, integrando um único time e trabalhando para ajudar a resolver os problemas”, afirmou.



